PERDER A MEMÓRIA

(*) Belmiro Vieira
O Tribunal Constitucional italiano vetou a nova lei sobre a imigração, recentemente elaborada e aprovada pelo Governo de Berlusconi. A qual, em sua opinião, contém artigos que brigam com a lei fundamental do país.
Entre os artigos que mereceram o não, sobressaem dois:
– um, que estipula que qualquer imigrante pode ser expulso do país, após julgamento e condenação em tribunal comum, onde, no entanto, não lhe estão asseguradas garantias mínimas de defesa;
– o outro, que prevê a detenção obrigatória de qualquer imigrante que, condenado judicialmente a deixar o território italiano, não o faça no prazo máximo de cinco dias.
De encontro com informações veiculadas na Imprensa Transalpina, a nova lei sobre a imigração foi uma exigência dos dois parceiros de Berlusconi na coligação que ora governa a Itália. Ou mais concretamente, de Granfranco Fini, o ora MNE e líder da Aliança Nacional; e de Umberto Bossi, o chefe da Lega Norte, um e outro empenhados, desde há muito, no combate à imigração.
A Itália – recorda-se a propósito – foi e ainda é um país de emigrantes:
– houve, e há italianos aos milhões a trabalhar em países como a Argentina, Brasil, Austrália, África do Sul e os Estados Unidos, para referir apenas aqueles onde a sua presença é mais significativa.
– a trabalhar – repete-se – e por certo a contabilizar ganhos de interesse para o seu próprio país.
Pode-se mesmo admitir e afirmar que há italianos imigrantes nos cinco continentes.
Comentário: Assim sendo, e porque como ensina a Moral Social, «ninguém deve fazer a outrem o que não quer que lhe seja feito»… não é lá muito compreensível essa hostilidade de alguns políticos transalpinos à imigração de estrangeiros.
Ou será que perderam a memória?
(*) Jornalista
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